quinta-feira, 14 de junho de 2012

ZANGA



Queria sentir raiva,
explodir, dizer coisas absurdas,
brigar, falar palavões, escancarar.
Parece mesmo que quando a ira pega,
tem que sair de baixo para não chorar.
Mas tudo é momentâneo, não consigo
e isso não é bom!
Não sou Deus para julgar!
Sei que muitos falam demais,
dizem coisas que magoam
e fazem o próximo sofrer como se nada os abalassem.
Por que perder tempo com os monstros da consciência
se o perdão é a coisa mais certa.
Ficar zangado porquê?
Se na árvore dessa brutalidade
há sempre uma raiz de amor.

Emiliano Pinheiro Véras

quarta-feira, 13 de junho de 2012

REDE SOCIAL


O mar estava calmo.
Longe, as ruas desertas
e meus pensamentos brutos.
Às vezes assim acontece.
Outras, no entanto o contrário,
depois de uma, só outra.
Cada dia uma nova mensagem.
Um encontrar diferente.
Um pós-barba,
um embriagar de lucidez!
À noite, a energia da lua
rasga veia acima.
Enlouquece os corações apaixonados.
Espera-se todas as realizações
de dias planejados.
No final, nem tudo é conseguido.
Novos planos...outras postagens!

Emiliano Pinheiro Véras

sábado, 9 de junho de 2012

DESENCANTOS


Quando uma lágrima cai sozinha esquecida no frio
revela um espírito triste e profundo no semblante.
Um soneto amargo, a lembrança que só em Dante
escutaria em auto mar a fúria da prisão, alvo brio.

A bruma desvalida de um povo que sente calafrio
luta contra os deuses, esquece da ilusão ofegante.
Trunfo do diabo que cresce o coração escaldante
sem ritmo e compaixão, maldade do ego sombrio.


Não era enchente, os furacões retorcidos da verdade
o pó da humildade que esclarece o bem amargurado
Nem tão louco quem tem tão pouco vive a liberdade.

A distinta alegria de viver sofrendo os dias pendurado
água da chuva e luz do sol e acreditar na especialidade
de promessas, de bondades incrédulas do pobre jurado.


Emiliano Pinheiro Véras



sábado, 26 de maio de 2012

TINHA UMA SOMBRA


Tinha uma sombra.
Uma sombra que me seguia
e me dizia coisas ao ouvido.
Uma sombra torta, auspisiosa,
que me empurrava, instigava
em todos os momentos de delírio.

Tinha uma sombra.
Uma sombra que me erguia
e me derrubava e eu duvidava.
Uma sombra vadia, deliciosa,
que me acompanhava, inspirava
em todos os encantos de colírio.

Tinha uma sombra.
Uma sombra que me fazia
e me seguia ardendo o meu duvido.
Uma sombra amada, apaixonada
que me beijava, cheirava
em todos os instantes de satírio.

Emiliano Pinheiro Véras

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ADOLF HITHER: TRAUMAS



Cuspo um vômito de náuseas, diante das carnificinas que até os abutres repugnam, causada pelo verme que dorme no ego pútrido do mais imperfeito dos homens.
E assim suba na garganta o gosto de ferrugem, criada no coração rígido e adormecido que muitas vezes não chorou quando as chamas do inferno descoloriram sua vida patética e sombria.
E mais ainda, que se misture ao veneno da mediocridade a maldição da fraqueza interna e o misero corpo doentio amargo, por não ter um sentimento vindo do holocausto à sua própria imagem.
E mais, que descanse nas profundezas da memória, a dor do grito de inúmeras vítimas do mais bruto e infinito pedido de socorro não correspondido e essa voz te atormente por toda eternidade.

Emiliano Pinheiro Véras

terça-feira, 15 de maio de 2012

IMPULSO



Pode ser que você não tenha olhos para grandes emoções. Também pode ser que não veja a melhor das aventuras no desconhecido, nem tão pouco sinta na alma o calor do sonho acontecido, ou quem sabe o medo de prosseguir te impeça de conquistar o seu maior dos objetivos?
Das oportunidades sempre o bom senso há de falar, exprimir mais alto do que o espírito brusco da inocência. Nem todo frasco guarda bons perfumes e os desejos mais loucos devem serem bem pensados, para que a dor da dúvida nunca fruste outras chances de serem realizadas.

Emiliano Pinheiro Véras

sexta-feira, 11 de maio de 2012

MÃE


Oi mãe! Sinto saudades de você.
Dos dias em que você me ligava,
que eram quase todos os dias.
De seus conselhos que muitas
vezes eu nem atendia,
mas que foram os únicos
para a minha felicidade.
Das vezes em que adoeci
ou até mesmo sentia
uma simples dor no dente
e você não aguentava
e vinha me visitar.
Sinto saudades mãe,
dos seus abraços e beijos
e de todos os seus carinhos
que só a senhora sabia me dar.
Sinto muitas saudades
minha querida mãezinha
e sei que de onde você está,
nunca esquecerá de mim
e sempre há de mim olhar.
Feliz dia das Mães! 

Emiliano Pinheiro Véras

A Divina Comédia Cearense

Prepare-se para uma jornada épica, mas com um sotaque que você conhece bem. Em "A Divina Comédia Cearense", o escritor, professor ...