sexta-feira, 29 de junho de 2012

GUERRA E FIM


O movimento era grande. 
Muitas pessoas corriam pelas ruas gritando. Não dava para explicar o terror sentido nos olhos assustados dos indefesos transeuntes. Eu parado, observando como num sonho, num transe que aos poucos me levou ao desespero. Quando do alto veio aquele vapor, aquela troca de mundos, destruidora, de colorido para o acinzentado, sujo e sem vida.
De repente eu parecia já noutro lugar, outra imagem, essa sem movimento e sem som, apenas vultos parados, esquecidos no tempo, observando tudo aquilo.
Depois de alguns minutos, uma luz muito forte e muitas pessoas apareceram em caminhada seguindo a mesma direção, como se fossem teleguiadas por uma força maior do que a própria vida passada. Com o tempo reconheci todas elas, aqueles olhos, só que agora de feições tranquilas, sem os horrores da guerra, tinham ficado para trás e o destino tinha se cumprido e nós como humanos tínhamos errado e estávamos pagando com o fim da nossa existência. Destruímos o mundo!

Emiliano Pinheiro Véras

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