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sábado, 14 de julho de 2012
MADRUGADA EM CASA
Já era madrugada, quando os ruídos
do inconsciente estremeceram
a realidade perturbada.
Eu, sonolento!
Parecia estar em movimento;
os passos, o arrastar de coisas
até tropeçar e cair.
Eu, sonolento!
No início um susto, depois a tensão
para controlar-se e situar-se
na obscura ocasião.
Eu, sonolento!
A respiração mais lenta
com a coragem que surgira
não sei de onde.
Eu, sonolento!
Quando mais perto ficava
a hora do encontro, mais
o encanto se desfazia.
Eu, sonolento!
A esperança, a surpresa,
o querer fazer com que
o amanhã surgisse feliz.
Eu, sonolento!
Sem distanciamento, solidão.
Uma saudade incompensável
que só a presença sacia.
Eu, sonolento!
Abri a porta meio cego
de certeza, meio estasiado
de decepção e não era nada.
Eu, voltei a dormir!
Emiliano Pinheiro Véras
sexta-feira, 29 de junho de 2012
GUERRA E FIM
O movimento era grande.
Muitas pessoas corriam pelas ruas gritando. Não dava para explicar o terror sentido nos olhos assustados dos indefesos transeuntes. Eu parado, observando como num sonho, num transe que aos poucos me levou ao desespero. Quando do alto veio aquele vapor, aquela troca de mundos, destruidora, de colorido para o acinzentado, sujo e sem vida.
Muitas pessoas corriam pelas ruas gritando. Não dava para explicar o terror sentido nos olhos assustados dos indefesos transeuntes. Eu parado, observando como num sonho, num transe que aos poucos me levou ao desespero. Quando do alto veio aquele vapor, aquela troca de mundos, destruidora, de colorido para o acinzentado, sujo e sem vida.
De repente eu parecia já noutro lugar, outra imagem, essa sem movimento e sem som, apenas vultos parados, esquecidos no tempo, observando tudo aquilo.
Depois de alguns minutos, uma luz muito forte e muitas pessoas apareceram em caminhada seguindo a mesma direção, como se fossem teleguiadas por uma força maior do que a própria vida passada. Com o tempo reconheci todas elas, aqueles olhos, só que agora de feições tranquilas, sem os horrores da guerra, tinham ficado para trás e o destino tinha se cumprido e nós como humanos tínhamos errado e estávamos pagando com o fim da nossa existência. Destruímos o mundo!
Emiliano Pinheiro Véras
domingo, 17 de junho de 2012
AMAR É......!!!!
Amar é um grande desafio.
É correr riscos imensuráveis.
É vibração, solidão de infinita paixão.
É cheiro, calor e lamento.
Multiplicado por dignidade,
felicidade e comportamento.
É encontrar-se e não mais se perder
É o prazer de estar.
Pecado e virtude,
companheirismo e atitude.
É uma passagem sem intermédio.
É rejuvenescer-se sem remédio.
É cair de cama sorrindo ou chorando.
É participar e sentir-se importante.
É sorrir à toa, é ser sem limites,
é atrapalhar-se do mal jeito.
Amar é tudo e muito mais...
é estar louco sem querer
é morrer de vontade
e um pouco mais.
Emiliano Pinheiro Véras
sábado, 16 de junho de 2012
LUNÁTICO
Posso parecer um lunático,
louco e perturbado.
Mas as dores que o poeta sente,
muitas vezes é escrita
pelo sentimento de outros.
Dizer que na casa torta
não se abre a porta.
É mentira. Eu abri!
Onde os muros cedem com a chuva
e os escombros de pedra mata,
também protegem.
Há não uma miragem,
da pobre sacanagem.
Que o tempo que floriu
e as mudas renasceram.
Onde tudo estava morto. Eu não!
O tempo revigorou, mostrou-se mais forte
e desmistificou o impossível.
Desbloqueou mitos esquecidos
e salvou os sonhos que não se realizaram.
As intempéries das mentes tortas
que caiam precipício abaixo sem para quedas.
Os bons bons devaneios de um anjo me salvou
como há de salvar a todos os que tem sonhos.
Um segundo é muito para quem tem pouco.
Um sorriso é único para quem não o faz.
Viver é fazer o querer.
é não escutar o achismo.
Sem limitar-se do que se merece.
Fazer o que é preciso para ser feliz.
Emiliano Pinheiro Véras
CABARÉ
Ainda que num cabaré os sonhos
de muitos jovens sejam desvirginados.
Há monstros esquecidos no tempo,
que nunca estiveram e queriam estar lá.
Na casa das meninas tortas e sedutoras
o jogo é limpo e descompromissado.
Nada é destemido na hora da descoberta,
nem mesmo o mais lindo renegado
dos mortais apaixonado se esquece:
Da dança, do brilho das luzes avermelhas.
Do cheiro de amor que exala pelo ar.
Do burburinho, barulhos sem nexos,
apenas fissuras de taras por todos os lados.
Sem a vergonha de se achar como homem
é naquele lugar o mais conveniente,
o mais fácil que a procura há de ter.
é naquele lugar o mais conveniente,
o mais fácil que a procura há de ter.
Bebida e muita música,
Sodoma um pequeno quintal,
longe do certo e perto do bacanal.
Princípios de todo momento,
felicidade naquela hora
que valerá a eternidade.
que valerá a eternidade.
Emiliano Pinheiro Véras
quinta-feira, 14 de junho de 2012
ZANGA
Queria sentir raiva,
explodir, dizer coisas absurdas,
brigar, falar palavões, escancarar.
Parece mesmo que quando a ira pega,
tem que sair de baixo para não chorar.
Mas tudo é momentâneo, não consigo
e isso não é bom!
Não sou Deus para julgar!
Sei que muitos falam demais,
dizem coisas que magoam
e fazem o próximo sofrer como se nada os abalassem.
Por que perder tempo com os monstros da consciência
se o perdão é a coisa mais certa.
Ficar zangado porquê?
Se na árvore dessa brutalidade
há sempre uma raiz de amor.
Emiliano Pinheiro Véras
quarta-feira, 13 de junho de 2012
REDE SOCIAL
O mar estava calmo.
Longe, as ruas desertas
e meus pensamentos brutos.
Às vezes assim acontece.
Outras, no entanto o contrário,
depois de uma, só outra.
Cada dia uma nova mensagem.
Um encontrar diferente.
Um pós-barba,
um embriagar de lucidez!
À noite, a energia da lua
rasga veia acima.
Enlouquece os corações apaixonados.
Espera-se todas as realizações
de dias planejados.
No final, nem tudo é conseguido.
Novos planos...outras postagens!
Emiliano Pinheiro Véras
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