quinta-feira, 23 de agosto de 2012

MARCAS DE DOR


Sem mim, não sou ninguém,
sem você, poço de desdem.
Sem motivos vivo sofrendo,
sem alguém sofro vivendo.

Cada acordar uma vértebra dilata
a saudade nova que me incomoda;
Um chão que se abre e eu afundo,
um sonho sereno e mais profundo.

Às margem do lago, só folha seca,
do cajueiro, raízes e esquecimento.
Da foto, escuto vozes, sinto cheiros.
Da alma, grita um aperto duvidoso.

Deito na areia e descanso à vontade
da fraqueza, do espírito que desconfia
que não sabe amar, só sabe muito ter,
a possessão, posição preventiva à dor. 


Emiliano Pinheiro Véras


segunda-feira, 23 de julho de 2012

SIMPLICIDADE


Um dia eu quis ser um pássaro,
voar bem alto e escolher um lugar
mais tranquilo para eu ficar.
Quebraram minhas asas!

Outro dia quis ser um peixe,
mergulhar em águas profundas 
e conhecer coisas incríveis até cansar.
Quase morro afogado!

Depois pensei ser uma estátua,
ficar ali parado, observando
por toda eternidade.
Cansei-me e fui quebrado!

Cansado, achei melhor ficar invisível,
fazer coisas proibidas e 
ninguém jamais saber que foi eu.
De repente senti saudades de mim,
pois ninguém ia me ver.

Hoje estou aqui, sendo eu mesmo,
sem asas, poder e desejos impossíveis,
mas querendo ser alguém,
só mais um andante comum,
procurando viver com defeitos 
e qualidades cabíveis ao meu tempo.

Emiliano Pinheiro Véras

domingo, 22 de julho de 2012

AFOGAMENTO



O sal, o céu, o véu
Um mar de lembranças cruel.
Meninos afoitos de destinos
entrelaçados, quase inacabados,
quando por força da sorte
foram livrados da morte.
Três irmãos, todos se afogando.
O mais novo no mais raso,
o do meio, vendo o mais velho
se afastando e ele também muito golfando.
Nada para segurar quando uma mão
o puxou e depois os irmãos se agarraram.
Desespero de quem os salvou.
Seus pais nem chegaram a ver
só depois foram conhecer
quem seus três filhos 
numa manhã de muitos brilhos
fez da irresponsabilidade deles renascer,
crianças na multidão perdidas na distância
despreocupada da pobre infância
não acompanha seus filhos crescer.
Quem ama cuida, não descuida.


Emiliano Pinheiro Véras

terça-feira, 17 de julho de 2012

CONVENIÊNCIA


Existem muitas coisas por conveniência que aos olhos dos espectadores formam um belo conjunto de contraditórios conflitos do coração.
O religioso profano que visando o melhor para dissipar seus próprios dogmas, investe em uma linha tênue de capítulos já estabelecidos por outra corrente mais forte e conhecida dos fiéis; O político Maquiavel e preponderante subestimando os pobres de ideologias, alia-se por interesse aos mais poderosos estimando a sua segurança; O assalariado que pouco tem de onde tirar, acostumado a ser mandado, explorado e massacrado, buscando alguma vantagem é por tão pouco comprado; O jovem cercado de expectativas, sonhos de uma vida melhor e preguiça de lutar, estudar...por conveniência adere a caminhos mais fáceis e rápidos(prostituição, drogas e roubos); A mulher desiludida do amor, da carne que suga o espírito e condensa a alma se uni a outro sem retribuição, provocando o mal que está refletido em suas atitudes diárias e que nunca lhe trará a felicidade.
A conveniência tem como significado o interesse, o proveito, a vantagem e mais do que a morte a falta de amor próprio.  

Emiliano Pinheiro Véras

sábado, 14 de julho de 2012

MADRUGADA EM CASA




Já era madrugada, quando os ruídos
do inconsciente estremeceram
a realidade perturbada.
Eu, sonolento!


Parecia estar em movimento;
os passos, o arrastar de coisas
até tropeçar e cair.
Eu, sonolento!


No início um susto, depois a tensão
para controlar-se e situar-se
na obscura ocasião.
Eu, sonolento!


A respiração mais lenta
com a coragem que surgira
não sei de onde.
Eu, sonolento!


Quando mais perto ficava
a hora do encontro, mais
o encanto se desfazia.
Eu, sonolento!


A esperança, a surpresa,
o querer fazer com que
o amanhã surgisse feliz.
Eu, sonolento!


Sem distanciamento, solidão.
Uma saudade incompensável
que só a presença sacia.
Eu, sonolento!


Abri a porta meio cego
de certeza, meio estasiado
de decepção e não era nada.
Eu, voltei a dormir!


Emiliano Pinheiro Véras


sexta-feira, 29 de junho de 2012

GUERRA E FIM


O movimento era grande. 
Muitas pessoas corriam pelas ruas gritando. Não dava para explicar o terror sentido nos olhos assustados dos indefesos transeuntes. Eu parado, observando como num sonho, num transe que aos poucos me levou ao desespero. Quando do alto veio aquele vapor, aquela troca de mundos, destruidora, de colorido para o acinzentado, sujo e sem vida.
De repente eu parecia já noutro lugar, outra imagem, essa sem movimento e sem som, apenas vultos parados, esquecidos no tempo, observando tudo aquilo.
Depois de alguns minutos, uma luz muito forte e muitas pessoas apareceram em caminhada seguindo a mesma direção, como se fossem teleguiadas por uma força maior do que a própria vida passada. Com o tempo reconheci todas elas, aqueles olhos, só que agora de feições tranquilas, sem os horrores da guerra, tinham ficado para trás e o destino tinha se cumprido e nós como humanos tínhamos errado e estávamos pagando com o fim da nossa existência. Destruímos o mundo!

Emiliano Pinheiro Véras

domingo, 17 de junho de 2012

AMAR É......!!!!


Amar é um grande desafio.
É correr riscos imensuráveis.
É vibração, solidão de infinita paixão.
É cheiro, calor e lamento.
Multiplicado por dignidade,
felicidade e comportamento.
É encontrar-se e não mais se perder
É o prazer de estar.
Pecado e virtude,
companheirismo e atitude.
É uma passagem sem intermédio.
É rejuvenescer-se sem remédio.
É cair de cama sorrindo ou chorando.
É participar e sentir-se importante.
É sorrir à toa, é ser sem limites,
é atrapalhar-se do mal jeito.
Amar é tudo e muito mais...
é estar louco sem querer
é morrer de vontade 
e um pouco mais.


Emiliano Pinheiro Véras

A Divina Comédia Cearense

Prepare-se para uma jornada épica, mas com um sotaque que você conhece bem. Em "A Divina Comédia Cearense", o escritor, professor ...