quarta-feira, 13 de outubro de 2010

TUBARÃO



"No mergulho interno
Se descobre o bicho.
N'alma o inferno astral
Riscado da lista.
O que é isto?
Estereótipo colocado
Designado, debochado!
Gente pior disfarçada
de casal prepotente.
Sabe-se lá quem é valente!
Gente como a gente
Que vive na escuridão
Sente prazer e come como cão.
Saboreia a língua morna
A viver feliz e contente.
Morra, morra....
A discriminação!
Sei lá de quem são.
São tantos!
Que até nos cantos
Se rebelam os escondidos
Desvanecidos dos apelidos.
De qualquer um a semente
Que come
Que sente
E é feliz
Sem ser meretriz
Sem vergonha
Sem cicatriz."


Emiliano P. Véras

sábado, 9 de outubro de 2010

MEDO DA CHUVA




"Quando a chuva passa
Levando das ruas 
A sujeira que fica.
Lembra o tempo
Arquétipo esquecido
De um grande amor!
Das lágrimas petrificadas,
Das noites em claro,
E um coração rígido
Insensível à dor.
Momentos de impotência,
Superada e abafada,
Dominada por um ego
Que diz jamais sentir
Outra vez tal esplendor.
Porque na dúvida:
O medo homofóbico saciado?
A solidão vencida, desgastada!
Ou simplesmente volúpia?
Ou não sei mais do querer.
Deve ser o momento, a chuva,
Os respingos, a garoa!
Os relâmpagos que não cessaram
E a trovoada que vem depois."


Emiliano P. Véras


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

APENAS UM DIA



Hoje foi um dia
Calmo, simples, comum.
Sem mistérios, sem aventuras,
nem frescuras!
Dia de parar, pensar e refletir
Lembrar que tem dias
Desastrosos, brutais, ruins.
Sem esperança, sem serenidade,
nem piedade!
Dia de chorar, deixar e calar
Amanhã quem sabe outro dia
Alegre, vibrante, brilhante.
Sem medos, sem vertigens,
nem inseguranças!
Dia de brincar, cantar e beijar.
E mesmo que o amanhã
Não seja aquele dia
E eu esteja em alto mar
E o barco pegar fogo......E daí?
Estou pronto para nadar.


Emiliano P. Véras

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RECORDAÇÃO



Oh lua que me faz
de louco apaixonado
o grito de coração fugaz.
Que te olha!
      Que te ver!
            Que te quer!
            Que não te sente!
     Que não te tem!
Que não é!
NÃO!
.......................................
De um sorriso, um abraço,
um adeus!
São coisas que nunca vou
esquecer!


Emiliano P. Véras

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

POETA LENHADOR



O
poeta
é um chorão.
Chora na alegria
e na tristeza,
por sim, por não.
No contentamento
por estar descontente.
Sofre por demais
nas coisas ruins
e coisas afins.
Às vezes não tem hora
de criar, curar, pirar.
De sonhador acordado
flutua tão alto
que não controla
a rigidez, maciez.
Subestima a ilusão,
transcende desamores,
se emociona ao ver flores.
O poeta chega a ser coitado
calado, desconsertado.
Ama o belo.
Odeia o feio.
Navega nos sentimentos,
afoga nas águas a maldade.
Nunca sente saudade
da imoralidade, falsidade.
Rega o mais límpido dos sorrisos,
dos encantos das palavras carinhosas,
dos mágicos toques dos acordes musicais.
O poeta é um sonhador e nunca um lenhador.
Amor!
Amor!
Amor!


Emiliano Véras

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

LAMENTO



Naquela noite fria
calma, escura e chuvosa.
À claridade de uma vela escrevia.
Desnudando os mais singelos sentimentos.
Tudo parecia em minha mente clarear.
Como se uma luz divina me tocasse,
abrindo meu coração e dividindo meu olhar.
Às vezes que fiquei só,
no infinito dos pensamentos,
o tempo pairava revivendo tormentos.
Solidão que não cicatrizou.
Visões do passado nunca esconderam
a saudade, a paixão, a desilusão!
O gosto amargo de quem amou,
sofreu e se despedaçou.
Como se o vento de outono
levasse para bem longe
tudo que eu mais queria.
Sem ter a chance
de me arrepender
de ter tentado.
São momentos que nem sei contar.
Mas cresci na esperança e sabedoria,
de quem amou, lutou e acabou.
Também nunca foi um grande amor!

Emiliano P. Véras

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ORGASMO




Aquele suor brilhando
em nossos corpos
como o sol no mar.
Tinha algo de mistério
que nos fazia exitar.
As pernas trêmulas
desmanchando-se em prazer.
Não sabia mais o que fazer
para controlar aquele desejo.
Tudo que queria era possuir,
ter você naquele vai e vem.
Respirando e respirando mais
e mais fundo respirando.
Sem ter que insistir,
sem ter medo de parar.
Tudo que via ficava oculto.
Tudo que queria esquecera.
Só o soluço e a espera
do gozo de ser acariciado
pela mão que descobria
em nossos corpos pura magia
e eu totalmente aliciado.

Emiliano P. Véras

A Divina Comédia Cearense

Prepare-se para uma jornada épica, mas com um sotaque que você conhece bem. Em "A Divina Comédia Cearense", o escritor, professor ...