segunda-feira, 5 de novembro de 2018

LAÇOS


Na realeza desprovida e fértil

nasceu a maresia que em 
corpos pecadores, destilavam
sabor inocente da natureza.

Nem o sol, nem o mar

foi capaz de diluir 
positivamente o bem querer
de mal caráter as partículas
reluzentes do prazer.

Vi uma sombra, uma sombra

eu vi, um vulto transgressor,
purificando pecaminosos
momentos de solidão.

Contendo-me apenas aos resquícios 

vermicidas jogadores na aurora 
que a magia do fim do dia propôs.

Calar-ti-ei boca maldita, não

sabes do amanhã, o que realmente
tivemos de único, sem nunca ter fim.

E nas brechas se calou e nos corações

apaixonados, querer-te e vencer até 
o que o mais impuro dos puros duvidou.


Emiliano Véras 


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O PALADAR DE UM INOCENTE




Somente alguns goles
já é o bastante para saciar
Essa infortúnia vontade
para não mais querer-te beber.

Quero sair de mim, voar,
Expurgar o que não mais ecoa
Na majestosa finitude.

Foste antes um tímido,
Agora um astro vagarando
Em brumas petrificadas.

Emiliano Veras e Levi Lopes

quarta-feira, 14 de março de 2018

DO OUTRO LADO DA PORTA





Estou saindo de fininho
Sem fazer alarde, calado
pensativo e confiante.
Saindo sem ser notado.
Estou fechando a porta
para não mais voltar.
E se notar a minha ausência
Não mais me encontrará
Mudei! Aquele que ficou atrás da porta
Não mais existirá.
Perdeu-se nas lembranças
Nos sonhos de tanto amar
Aquela sombra que pairou
Em seus devaneios egoístas
E aquela sensação de me ter em suas mãos
Afogou-se em lágrimas,
Em sentimentos solitários
Em desilusões que o tempo apaga
E o coração sufoca o desejo condicional.
Então? Fique atrás da porta!
Eu não olharei para trás
E nunca mais te verei
Com os mesmos olhos de quem te amava.


Emiliano Pinheiro Véras

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SEGUINDO EM FRENTE



Vou seguir em frente, em frente vou seguir!
Como uma andorinha procurando o verão.
Buscando espaço, longe da solidão!
Um andarilho, percorrendo vários lugares.
Sem destino, na paz, o amor e a esperança no ar.
Vou cavalgar, mergulhar, voar e fluir...
Como quem escuta a mais linda melodia.
E cantar, dançar! Sair por aí...de boa, à toa!
Vou dizer adeus, até nunca mais à mesmice.
Aos costumes, rotina e tchau!
Encontrar o máximo até que vire o mínimo.
E sorrir, fugir, como jamais vou ficar!
Dizer que bom estar, ficar, parar e sumir
Como quem nunca avisa o que não pode.
Como quem promete o impossível e assim,
vou amar e amar e amar...Até que o sol brilhe

e o amanhecer não mais fazer sentido.

Emiliano Pinheiro Véras

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DESCOMPLICANDO




Tão complicado! Ser bom? Ser mal?
Responder, interpretar. Te dizer
somente o que quer escutar!

Tão sombrio! Dias Claros? A paz?
Sofrer, brigar. Procurar coisas difíceis,
incomuns de si ter e viver!

Tão experto! Perigoso ou medroso?
Para que complicar o que pode ser
bom e não ser mal, onde a resposta 
bem interpretada todos querem escutar.

Para que ser sombrio, quando os dias
claros trazem paz, evita o sofrimento,
as brigas e as coisas difíceis ficam 
incomuns de si ter e viver.

A vida tem dessas coisas e não tem
receita pronta, acabada, deve ser sentida
e vivida e para sempre aproveitada.


Emiliano Pinheiro Véras

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

DESCRIÇÃO DO BOJO





Os abutres do lago estão a espreitar,

rondando as margens, pairando no ar.

O bater das águas indo às suas salas,

vermes de olhos cerrados no abismo,

da manipulação, indignação.

do medo de perder o ponto,

de perder a presa, o emprego?

Gritos de solavancos,

alunos nos corredores,

brincadeira de criança

e passos de louco e fome de leão,

destemido não, falta de educação!

Boba da corte, morcego do dia,

cortejada lampião, filha do cão

de homem mal, face de Maria bonita,

debochada de celular na mão

(nuvens de sacanagem e traição).

A bicha louca Iena fedorenta, perigosa.

Morde fino e pega grosso

nos braços da loira até o pescoço,

que não engana nem a mamãe.

Faltou a lebre desconcertada,

de rosto tremulo e sorriso arredio,

seu corpo de Chaves e bunda de assobio,

capaz de sentar num formigueiro

e ser fritada e ser comida no frio.

São de grupos em apuros, política

uma escola de expurgos, pratica?

desamimadores do futuro .



Emiliano Pinheiro Véras

A Divina Comédia Cearense

Prepare-se para uma jornada épica, mas com um sotaque que você conhece bem. Em "A Divina Comédia Cearense", o escritor, professor ...