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terça-feira, 16 de junho de 2015
JOIA RARA
Gosto de ti ver brincar,
tentar disfarçar e sorrir.
Às vezes pensas que não vejo,
eu finjo não ouvir.
Não sou seu dono
e nem outrem será.
Sei porque escondo
talvez a sua emoção
seja maior a de ficar.
Se te vi subir no telhado
feito gata no cio
foi por que gostas de ser:
cortejada, amada,
acariciada e tola.
Uma joia rara e domada
encontrada na encosta do rio.
Comigo? Não se incomodes!
Só pensei em ajudar,
como fruta não morde,
fugiu à noite e nasceu no mar.
Não solto a cor, nem camaleão sou,
Sinta-se livre ao deleitar
e viver seu louco amor.
Emiliano Pinheiro Véras
sexta-feira, 15 de maio de 2015
SAIA DESSA
Na vida quando chegar o dia,
Você irá rever as vitórias, conquistas
E também as perdas. E são tantas que
O sorriso se cala e a alma se fecha
Para tantas outras besteiras
que às vezes choramos.
Perdemos tanto no dia a dia,
No amor, no trabalho, na sexualidade.
Na família, na espiritualidade, na vida...
E quando pensamos nisso,
Ainda perdemos alguma coisa,
Pois achamos que não dará mais tempo
E erramos novamente.
Sorria! Deixe essa cara amarrada,
Esse corpo frívolo e essa opinião
de quem está sempre certa.
Corra, grite feito criança.
Deixe que digam que você enlouqueceu,
Mas não vá dormir mais uma noite sozinha
E triste porque não se conheceu e nem deu,
A oportunidade para alguém lhe fazer feliz.
Emiliano Pinheiro Veras
ARANHAS
Na noite o toque do celular,
A curiosidade, insegurança, esperança.
A teia que aumenta em cada visualização
E eu aqui apaixonado sem razão.
Na mistura de cores uma palavra,
A mais falada, calada, fadada.
A nuança que discorre em cada beijo
E eu aqui sem sono, sem cheiro.
Na encosta do escuro um grito, um susto
A saudade, idade, cidade.
A rosa que perfumou uma página
E eu aqui com frio e calor.
Na historiografia aumenta os sentidos
A cama, rede ou lama.
A cura da insônia está na companhia
E eu aqui catando monstros.
Emiliano Pinheiro Véras
sábado, 9 de maio de 2015
DESENCANTO

Hoje não te direi louvores,
Nem cantarei ao vento
Palavras torpes que encantam
Outros pensamentos.
Me perderei nas arestas,
Ruínas de um coração gélido,
Que amou, amou e se curvou
às intemperizes da noite calada,
Sombria e solitária.
Me enrolarei, não em teus braços,
Nem em lençóis macios
Que matam a sede
Mas não saciam a alma.
Me juntarei àquela estreita curva,
Sinuosa, onde muitos perdem a direção
E esquecerei um pouco,
Do pouco que fui ao mar.
Emiliano Pinheiro Véras
SONETO DOS AMANTES
O silêncio infinito da alma
Transcende o fogo no coração.
Urge o corpo inteiro e não acalma
Nem com vento, nem água a paixão.
O contato de corpos alados
Anjos domados do dizer não.
Colorindo de prazeres amados
A geografia beijada com a mão.
Perfumes que se misturam
Fervores de vidas ardentes
Gemendo e sorrindo flutuam.
Na noite vai e vem ardilosa
Sussurrando baixinho nos dentes
Calando a boca mais gostosa.
Emiliano Pinheiro Véras
terça-feira, 7 de abril de 2015
PROTETOR
Hoje, fecho a porta mais cedo.
Esquecendo lá fora os conflitos,
gente malfadada,
atropelos e cartas rasgadas de
amores esquecidos.
Também não trago comigo, os
sonhos,
as conquistas e o sorriso.
as conquistas e o sorriso.
Fecho e me guardo e guardo comigo
O que não vale a pena.
Trancafiando e exorcizando
tudo aquilo que não é bom
tudo aquilo que não é bom
Para amanhã talvez,
quando a porta eu abrir,
quando a porta eu abrir,
Só a esperança de um dia melhor
eu possa ter e te dar e viver
Até mais tarde
Até mais tarde
Outro dia.
Emiliano Pinheiro Véras
quarta-feira, 28 de maio de 2014
FUI...
Fui naquela onda de ti conhecer,
te amar e te perder.
Fui naquele oceano límpido
levando o que eu ainda tinha
de medo, de inocente.
A ilusão de perfeição
de ser amado sem traição
nada tinha e acabou em alto mar.
Fui naquele por do sol
e vi o vento soprar forte
sôfrego e insistente.
Desconfiei da trama
com a velocidade da cama
e depois acordado
caí sobre a brisa
que fria, sacudiu consciente.
Fui naquela rua,
naquele encontro,
mas fugi do sonho.
Emiliano Pinheiro Véras
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